“Então, Jesus aproximou-se deles e disse: Foi-me dada toda a autoridade nos céus e na terra. Portanto, vão e façam discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, ensinando-os a obedecer a tudo o que eu ordenei a vocês. E eu estarei sempre com vocês, até o fim dos tempos.” (Mateus 28:18-20)

O lado a lado no discipulado foi ensinado por Jesus. Discipulado é ter discípulo ao lado, caminhar em companheirismo, discipulador e discípulo caminhando lado a lado. Isso é compartilhador e abençoador, porque ninguém deve se privar de usufruir a companhia um do outro. Sempre digo que discipulado não combina e não existe para quem faz o modelo de ermitão. Os solitários procuram seus próprios interesses e vivem mergulhados em soberba; esses não se permitem serem acompanhados.

O discipulado é firmado quando existe companheirismo, respeito e obediência. E isso é uma conquista gerada através de conversa, ensino, investimento de tempo de ambas as partes e, principalmente, decisão em seguir juntos, sabendo que perfeição só se encontra em Deus. Contudo, em meio a erros e acertos, o poder da convivência consolida a formação e cria os vínculos necessários no discipulado.

Jesus, enquanto Discipulador, convivia com todos os discípulos e do meio desses discípulos, escolheu 12 homens para andarem mais próximos dEle, e desses 12 homens, a Bíblia mostra que os mais achegados a ele eram Pedro, Tiago e João (Marcos 5:37; 14:33). Ao que tudo indica, esses três discípulos eram mais próximos do Mestre pelos resultados de boa convivência que tinham. Eles aproveitavam todas as oportunidades que tinham para não sair do lado do Messias.

Se você quiser ser próximo do seu líder, como Pedro, Tiago e João, terá que gerar convivência com ele. E se você, líder, quiser gerar proximidade com os discípulos que o Senhor tem confiado em suas mãos, vai ter que investir tempo de qualidade com eles. Para discipulador e para discípulo, o fator é o mesmo: Humildade. O líder que tem humildade abre mão do seu tempo para investir na vida do discípulo. O discípulo que tem humildade se submete ao líder para enriquecer sua vida com os ensinamentos do Reino. Andar juntos faz parte do lado a lado no discipulado, e para o líder é fundamental cumprir a função para a qual prioritariamente foi chamado, que é fazer discípulos de todas as nações.

Analisemos algumas relações de lado a lado no discipulado na vida de alguns Patriarcas e Profetas.

1. Abrão
“Assim partiu Abrão como o Senhor lhe tinha dito, e foi Ló com ele; e era Abrão da idade de setenta e cinco anos quando saiu de Harã. E tomou Abrão a Sarai, sua mulher, e a Ló, filho de seu irmão, e todos os bens que haviam adquirido, e as almas que lhe acresceram em Harã; e saíram para irem à terra de Canaã; e chegaram à terra de Canaã.” (Gênesis 12:4,5)

Abrão decidiu caminhar com Ló e teve que colher as consequências de frustração pela sua má escolha. Sim, porque Ló era a escolha 100% do coração de Abrão. Deus mandou Abraão sair da sua terra e do meio de sua parentela e ir para a terra que o Senhor estava mostrando a ele. A promessa era a de que ele seria uma grande Nação.

Com certeza, Abrão ficou preocupado diante de tão grande responsabilidade e pensou em como isso aconteceria se ele e Sarai não tinham mais capacidade de gerar filhos. Então, buscando uma facilidade, tomou Ló, a fim de perpetuar a própria descendência, ainda que a lei da época não permitisse que um sobrinho perpetuasse a descendência. Verdade é que a preferência do coração de Abrão era Ló. Ele ainda não havia compreendido que para ser bem-sucedido na vida precisava estar cem por cento de acordo com a vontade do coração de Deus.

Abrão, já escolhido como líder, uma espécie de discipulador no Antigo Testamento, falhou por causa da escolha que fez. É por isso que, na relação de discipulado, de caminhar lado a lado, deve-se tomar cuidado com a preferência e com os motivos que estão guiando o líder a levantar uma determinada pessoa na equipe e na liderança. A motivação no discipulado deve ser correta, jamais movida por interesse pessoal. E, para isso, é preciso tomar cuidado, vigiar. A motivação de Abrão estava errada, ele queria, por seus próprios planos, garantir sua descendência.

Na relação discipulador – discípulo, o lado a lado não pode ser inadequado. Deus dá os discípulos para o líder, e ele deve confiar no que Jesus disse em João 6:37 e João 17. É muito importante caminhar pela vocação que gerará frutos. No discipulado, não é interessante caminhar com a motivação errada, caminhar com Ló. Faz-se necessário ensinar aos discípulos sobre companheirismo, fidelidade, caminhar lado a lado, ser discípulo mesmo. Caso contrário, farão como os discípulos de Jesus, que quando Ele estava passando pelo momento mais difícil da sua vida, todos os discípulos O abandonaram, negaram o andar lado a lado por medo, como se desconhecessem o propósito central da vocação para a qual haviam sido chamados.

Como discípulos de Jesus, precisamos descobrir primeiro o propósito central da nossa vocação para, então, ensinar aos discípulos. Essa é a forma segura de não andar em atropelos. Os atropelos chamam Ló para o discipulado. E o pior é que não podemos caminhar para sempre com Ló. Chegará um dia em que teremos que nos separar dele, deixá-lo no meio da estrada... E todo o seu trabalho, enquanto líder, terá sido em vão.

Continua...

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Plano de Leitura Bíblica

21 Out
2 Crônicas 14 e 15
Ezequiel 47
João 15 e 16
22 Out
2 Crônicas 16 e 17
Ezequiel 48
João 17 e 18
23 Out
2 Crônicas 18 e 19
Daniel 1
João 19
24 Out
2 Crônicas 20
Daniel 2
João 20 e 21
25 Out
2 Crônicas 21 e 22
Daniel 3
Atos 1
26 Out
2 Crônicas 23
Daniel 4
Atos 2
27 Out
2 Crônicas 24
Daniel 5
Atos 3 e 4