Há 500 anos, as caravelas portuguesas navegaram as águas do Brasil, mas em pleno século 21 as réplicas não saíram do canto. Há uma explicação para isso? Enquanto o Brasil comemorava cinco séculos de história, um outro Brasil, um Brasil redimido, tomou o território e decidiu construir uma nova história para nossa “pátria varonil”.

Enquanto um Brasil se distraía, um Brasil redimido gerava o Brasil do sonho de Deus: “Por quanto somente Eu conheço os planos que determinei a vosso respeito!, declara Yahweh, planos de fazê-los prosperar e não de lhes causar dor e prejuízo, planos para dar-vos esperança e um futuro melhor.” (Jeremias 29:11). E o Apóstolo Marcel Alexandre nos conta a História do Novo Brasil que foi concebido com lutas, lágrimas, dores, ameaças, mas, sobretudo, de muita conquista, transformação e reforma.

O primeiro Congresso de Resgate da Nação em Porto Seguro foi realizado em 2000, quando o Brasil completava 500 anos. O senhor acredita que o Brasil “nasceu de novo” naquela primeira edição do Congresso?

Eu acho que nós estamos grávidos. Só que há quem pense que em um trabalho de parto não há uma criança; e há quem queira abortar, e tentam até abortar, não se considera um ser vivo. Por isso nós somos anti-aborto, incondicionalmente, ali está uma criança. Então esta criança chamada Brasil está nascendo. Esse parto profético, cuja contagem de tempo é muito diferente da física e biológica, de uma ordem que Deus estabeleceu. Porque o tempo é bem diferente. Essa criança nova já está nascendo. E os fatos que estão acontecendo são exatamente para essa criança nascer em um só dia.

A cada ano um tema completa o tema do ano seguinte, parece sistemático e pensado previamente, como os temas foram surgindo?

De verdade, eu penso que essa é uma das grandes inquietações da fé. A fé nos chama para uma caminhada, aponta um destino sem dizer quais são as etapas. Eu acredito que esse é um dos grandes desafios para quem anda com Deus, para quem anda por fé. Deus não dá o mapa, não diz as coisas que vão acontecer. Vai revelando profeticamente, e o Apóstolo Renê tem tido uma sensibilidade ímpar. Imagine construir um histórico que parece com uma lógica pensada, mas não, o que tem é uma percepção espiritual e um canal profético. Na verdade, vem um mover, e Deus aponta. Muitas vezes pautados por Jerusalém, outras vezes não, foi uma percepção espiritual do momento da Nação. E aí essa história tem sido muito linda.

Dentro dessa construção, o senhor pode apresentar quem foi o Brasil de 2000 e quem é o Brasil hoje?

O Brasil de 2000 foi sacudido pelo evento dos 500 anos que nos remete a como tudo começou. O Apóstolo Renê percebeu e foi uma coisa bem em cima, a gente não começou um ano antes. Em janeiro, ele acordou dizendo: “Esse é o ano dos 500 anos. Marcel, podemos ir para o Útero da Nação?”. Eu disse: Sim, podemos! Na época, o presidente era o Fernando Henrique Cardoso e o governador da Bahia Antônio Carlos Magalhães. Houve uma mobilização para que não fizéssemos o evento em Porto Seguro, houve até uma proposta por parte do segmento do governo à época. A proposta era: se fosse escolhida outra data o Congresso de Resgate da Nação teria um patrocinador, bastava mudar a data. E a resposta do Apóstolo foi: “Tudo isso te darei se prostrado me adorares... então é NÃO a resposta. Somente ao Senhor teu Deus adorarás”. Em 2000, quase houve uma guerra civil, e nós tivemos até proteção especial para garantir o direito de ir e vir nos dias do Congresso. Houve bombas, manifestações... Porto Seguro, naquele ano, foi a Capital do país por um dia. O presidente despacharia em Porto Seguro, mas houve uma revolução muito grande por parte dos nativos, dos índios, dos sem terra, foi uma ebulição muito grande. Como se ali engravidou-se para um novo tempo. Aquele Brasil era um Brasil de expectativas. Aí a Igreja chegou para fazer aquilo que essencialmente tinha que fazer: Gerar o Brasil do sonho de Deus.

O que está acontecendo no Brasil hoje é reflexo do que foi profetizado ao longo desses 19 anos?

Não tem como não ser. Foi falado sem ser visto. Onde se pensaria que um presidente da República seria preso? Estamos honrados no caráter profético que temos e no compromisso espiritual com a Nação. Nós pedimos que Deus levantasse as saias da Nação. Hoje os que maculam a política estão encurralados, entrincheirados, emparedados pela nova realidade política e espiritual da Nação. Eu fico muito feliz com isso. Quem diria ainda que o maior empresário do país, ligado à maior construtora – Odebrecht, está preso? Onde passaria que um homem branco, endinheirado iria para a cadeia no Brasil? Eu não tenho a linguagem do desânimo, do “não tem jeito não”. Agora é que presta, agora é que tem jeito mesmo.

Em toda história, nenhuma visão uniu tantas denominações quanto a Visão Celular no Modelo dos 12. Exemplifique:

Dito pelos grandes críticos nacionais, dito por todos os segmentos: executivo e judiciário. Aliás, o Apóstolo Renê é tido como  fenômeno de liderança por ser o único líder que reúne denominações, sem assumir denominação. É um movimento!

Do dia 18 a 22 de Abril, a Igreja fica sem nomenclatura, sem nome, sem placa. A Nação redimida se reúne como sal e luz. Pergunto: se o Congresso de Resgate da Nação parar o Brasil para?

Perde uma força que precisa. Parar, o país não para. O Divino sempre se sobrepõe. Deus levanta outros, capacita outros. Uma outra voz surgirá, um outro mover. O Espírito de Deus vai se movendo e encontrando vasos, e Deus vai se movendo ali. Se nós pararmos, nós é que perderemos o prazer de sermos instrumentos, e isso eu não quero. Agora, eu tenho um desafio, estou correndo, fazendo de tudo para que não seja uma frustração. A Igreja não entendeu que isso precisa ser político. E a Igreja ainda está no discurso “imbecilizante” de não política. Hoje, quando falamos em política não estamos falando de corrupção, estamos falando da ciência de administrar bem. Isso é política! E ninguém fará política senão a Igreja. E por isso luto, coloco a mão no fogo e vou para a forca – morro por essa convicção. Só a Igreja é sal e luz. O Brasil tem um outro Brasil, onde? Na Igreja, o Brasil sal e luz. Precisamos ser “qahal”, aprendi isso com a Apóstola Valnice Milhomens. Ser “qahal” de Deus, ou seja, ser a extensão de Deus, a projeção de Deus em qualquer lugar. Como Israel é o povo de Deus em qualquer lugar, nós, Igreja de Deus, precisamos ser assim. A Igreja tem que entrar na política, precisa se unir nesse sentido. Como Jesus disse: “Para que sejam um, para que o mundo saiba que Tu me enviastes”. O propósito Divino é conhecido na unidade e na missão da Igreja. E isso ainda é um desafio. Estamos criando uma geografia nova na política.

O Brasil vem encontrar o futuro aqui, ou vem construir o futuro aqui?

O Brasil vem encontrar o futuro aqui e o Brasil vem construir o futuro aqui, as duas coisas. É o seguinte: não há futuro sem passado e sem presente. Estamos olhando de onde tudo começou, embora haja o conflito e algumas divergências. Estamos no conflito da sede e da divergência, na própria geografia. Há quem diga que foi lá em Cabrália; há quem diga que foi em Pernambuco; há quem diga que foi no Rio de Janeiro. Mas, a história registra que foi aqui, e estamos no registro histórico para curar o passado, encontrar-se com o presente transformador, para que tenhamos um futuro transformado.

Para encerrar, qual a mensagem que o senhor deixa para os Estados da nossa República?

Pelo amor de Deus sejam Igreja. Eu tenho medo de que a Igreja esteja sendo menos Igreja. E mais que nunca precisamos ser Igreja, a Igreja não quer se comprometer com política, mas a Igreja parece que virou uma esplanada de vendilhões do templo. A Igreja está em um caminho perigoso. Precisamos voltar a ser Igreja como Jesus, Ele chamou-os para si, para os ensinar e pregar, expulsar demônios. Eu posso ser o maior parlamentar, e isso é o que me fervilha, quando eu entro na Câmara, eu honro esta unção que me proporciona percepção, que me move, me dá autoridade para me mover politicamente. E se a gente quer que o governo se santifique, minha mensagem para os Estados é: Sejam Igreja! Sejam Igreja de Cristo! Sejam sal e luz!

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